31.10.07

E por falar em PESSANHA...:

"O Simbolismo, que ocorreu em período de transição do séc. XIX para o séc. XX, rejeita as correntes materialistas, racionalistas, empíricas e mecânicas trazidas pelo avanço da ciência da época e valoriza valores e ideais que estavam esquecidos: o espírito, o sonho, o absoluto, o nada, o bem, o belo, o sagrado etc.
A origem dessa tendência situa-se na aristocracia decadente e na classe média. Essas camadas sociais, por não participarem da euforia do progresso materialista, que solidificou o poder burguês, propõem a volta da supremacia do sujeito sobre o objeto, rejeitando desse modo o desmedido valor dado às coisas materiais.
Por isso, os Simbolistas procuraram resgatar a relação do homem com o sagrado, com a liturgia e com os símbolos. Buscam o sentimento de totalidade, que se daria numa integração da poesia com a vida cósmica, como se ela, a poesia, fosse uma religião.
Dentro dessa nova concepção da realidade e da arte, as correntes materialistas racionalistas não correspondem às exigências Simbolistas e isso faz com que eles sejam criticados pela sociedade, que chegou a clama-los de malditos ou decadentes.
Apesar de ignorar a opinião pública e fechar-se, numa quase religião da palavra e de suas capacidades expressivas, os simbolistas não conseguem sobreviver por muito tempo. O mundo presencia a euforia capitalista causadas pelo o avanço científico e tecnológico, a burguesia vive um período de prosperidade, a "belle époque", e isso só terminaria com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914.
É nesse clima que o Simbolismo desaparece, porém, deixa para o mundo um alerta sobre o mal trazido pela civilização moderna e industrializada. Eles deixam também perspectivas literárias que abrem as portas para o surgimento de novas correntes literárias e artísticas.
A Primeira Guerra Mundial, simboliza o mal trazido pela civilização moderna e industrializada e marca o fim do simbolismo."

Mas o Simbolismo resiste à visão materialista e hegemònica do mundo. Simbolismo que se manifesta com violência: Sinal de impotência face à ditadura da razão. Simbolismo necessàrio num mundo onde o progresso cientifico e tecnològico nos afasta, em vez de nos aproximar, cada vez mais da realidade. A não ser que a realidade seja um mito (tudo é ilusão...) e o "afastamento" provocado pelas novas tecnologias da informação, nomeadamente, seja uma forma simbolica de o conquistar. Tendo no virtual a sua expressão màxima e contemporânea. Mas duvido!...

Abraço concreto ,
eremita

4 comentários:

avelaneiraflorida disse...

Amigo eremita,

Até que este texto daria um bom tema de conversa...

UM RESTO DE BOA NOITE!!!

monge e eremita disse...

Sem dùvida amiga, que tinhamos aqui pano para mangas!...Não sei é se teriamos linhas suficientes!...
Fica aqui a intenção!

Uma boa noite p'ra ti também!
eremita

claudino disse...

duas observações:
se a ciência e a tecnologia nos afastam da realidade... então estão do lado do simbolismo e não contra ele...
por outro lado, a realidade actual é, mais que nunca, simbolo, representação, ilusão... a realidade é, cada vez mais, a sua representação: cada vez mais a nossa "realidade" é a que vemos nos ecrâs de televisão ou do computador. Mais que nunca, o mundo é uma abstracção...
Mas, se se for bem a fundo na ciência, o que está lá em baixo é nada e a ciência acaba por dar lugar à metafisica, isto é, à poesia... ou seja, lá no fundo, no fundo, a realidade é pura energia.. . simbólica!

Abraço (e desculpa a maluqueira...)

Claudino

monge e eremita disse...

Olà amigo Claudino,
obrigado pela pertinência das observações.
Tens razão ao sublinhar que a realidade é cada vez mais "simbolo" na medida em que a representação substitui cada vez mais a coisa representada - a realidade. Vive-sede facto na era da imagem. "A sociedade de espetàculo" (permanente) como escrevera Guy Debord jà nos anos 60. A abstração do mundo (do espaço) é "coisa mental", diziam os arquitectos do renascimento. Renascença que constitui momento charneira nesse longo processo de abstração, graças, em parte ao avanço technològico. Avanço que se traduz num afastamento do objecto estudado à medida que aumenta o conhecimento desse objecto - O mundo. A història resume-se no fundo, ao longo processo de emancipação da humanidade. De luta permanente contra a atração fisica e mental terrestre. A conquista do espaço, por exemplo, concretizando o sonho antigo de voar, liberta-nos simbòlicamente da nossa condição. Mas o voo precisa de chão para se levantar, e o sonho dalguma densidade para que a leveza de ser seja sustentàvel!...Mas até quando?...

Aquele abraço,
eremita

ps: gostei da expressão: "a realidade é pura energia... simbòlica"! Concordo