28.2.08

"comunicare"



Não se justifica a presença do verbo comunicar.


Por ter em mente uma visão evolutiva da humanidade, as ideias surgem sempre.Isto tudo, para falar do homem de Neandertal.
Num programa do género, um cientista explicava a extinção desta raça, que tendo coexistido com o Homo Sapiens, com ascendência comum, não conseguiu evitar o seu desaparecimento. Algumas das descrições indicam o homem de Neandertal como excelente caçador, dotado de boa robustez física, detentor de cultura intelectual e o seu cérebro era, em média, ligeiramente mais volumoso. No entanto, extinguiu-se.
Não interessava muito ao senhor o estudo de todo o processo de quantificação comparativa das percentagens do DNA. Preferiu comparar o aparelho fonador de ambas as raças, concluindo que, pelo facto de o homem de Neandertal ter a laringe mais subida e não ter o céu da boca côncavo, a produção e variedade de sons eram menores. Logo, não conseguiu desenvolver um sistema de comunicação tão aperfeiçoado como o do Homo Sapiens.

A comunicação à nossa raça serviu para melhor organizar as caçadas, aplicar a defesa e o ataque quando necessários e também estabelecer relações sociais entre si. Organizar-se.


Nunca me fica preso, entre os dentes, um cumprimento para as pessoas que vejo diariamente. Deixa-me curioso a mudez de algumas delas. Porquê? Não querem comunicar? Já não vão comigo à caça!

Boa noite.

24.2.08

Ó Homem ...


Ó barro bíblico
animado por vida que destróis
no outro e em ti

Ó sopro divino – bondade –
que matas
guerreias
renegas
odeias
prostituis
prostituis-te
matas e matas-te
a ti símio
meu ancestral

Ó selvagem
de cujo encéfalo jorra a ciência
a filosofia
a arte
a poesia
e o sonho
e cujas garras afeiçoam
vénus – giocondas
pirâmides – templos
de Jerusalém

Ó fera cruel sem coração
que te curvas a deuses
que afagas crianças
que estremeces – sorris –
ao desabrochar da flor

Ó homem
o que és tu?
quem és tu?

Miguel Leitão

22.2.08

Ladies and gentlemans ... Simon and Garfunkel

Passar-se-ão para aí uns argênteos aninhos, desde que, num pub (Twigy) do Porto, pela primeira vez vi este concerto integralmente. Apesar de o preço das bebidas ter rebentado logo com a semanada, não dei o dinheiro por mal empregue. Desde então, foi música que me acompanhou sempre para todo o sítio por onde andei. Esta semana, adquiri por um preço quase simbólico a obra SIMON & GARFUNKEL - The Collection, composta por 5 cd's e pelo dvd "The Concert in Central Park". Que saudosa maravilha!

Simon and Garfunkel

21.2.08

Toda a Palavra de Deus


Rir não só é fundamental, como também obrigatório. Quem vir esta peça, além de passar duas horas e meia da melhor disposição, apanha com todas as consequências que o riso possa provocar. De ir às lágrimas!

O meu colega do lado, amigo e professor de Educação Moral e Religião Católica, a quem convidei para partilhar comigo este espectáculo, não conseguiu disfarçar alguma reticência logo no iníco da peça. Contudo, com o desenrolar dos acontecimentos, não tardou a deixar-se levar e entrar na sonorosíssima onda de gargalhadas que invadia, ininterruptamente, toda a sala. Além de partilhar da sua bem disposta companhia, tive o privilégio de ver partilhados também, todo o seu saber sobre os textos sagrados, na sua versão mais séria.

Sim, porque esta Biblia, apresenta uma leitura muito particular dos principais momentos biblicos. E fá-lo a brincar! Mas poder-se-á brincar com coisas divinas; brincar com o que se não deve? Pode. Desde que se faça sem qualquer intenção ofensiva, muita divertida e que torne, da mesma forma, as coisas compreensivas. Não se pode levar para ali qualquer tipo de preconceito. Mesmo que, o que se diga não tenha nada a ver, é-nos apresentada toda a palavra de Deus, com todo o bom-humor com que Ele nos presenteou.

Hilariantemente bom! Veja-se!

http://abibliasintetizada.blogspot.com

4 meses em cena!!! - 7090 Espectadores - 55 Representações - 4 Digressões

Quintas, Sextas e Sábados às 21 horas. Teatro-Estúdio Mário Viegas.

12.2.08

Cântico Negro

Foram lidas todas as palavras e todas as tive em mim. Agora, os pensamentos e as emoções ficaram com elas. E elas lá estão. Todas. No mesmo sítio onde (outro) alguém lhes voltará a pegar e com elas incendiar a vontade de, sofregamente, as beber com outra alma. Porventura, delas, algumas rabiscadas, pegaram-se à pena e num doce bailado, ainda flutuam por entre os meandros da memória.


E resignei-me a ser pobre animal
A ser instinto – a ser donzela e fera ...
Abaixo as atitudes do Ideal!
E resignei-me a ser o que já era ...
...
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos ...
...
Viver
É, para mim, duvidar,
Desvairar,
Interrogar
Procurar-me,
Torturar-me,
Agarrar fumo nas mãos,
E acenar a uns meus irmãos
Que sinto perto, e não vejo
Por causa da multidão
...
Minha alma vai à frente, eu de rojo atrás dela:
Porque eu sou feio e triste,
Mas a minh’alma é bela
...
Sei que o meu sonho é imenso e anseia ar puro
...
Sei tudo ... E para quê?, porquê sabê-lo?
Viver é entrar no rol dos que o não sabem!
...
Meu corpo, ó meu hospício de alienados!
Abre-te aos meus desejos enjaulados,
Deixa-os despedaçar a minha vida!
...
Alta comédia misteriosa, a Vida
...
Abri asas nas mãos para fugir,
E raizes nos pés para amarrar.
(Levava chão nos pés indo a subir,
Trazia céu nas mãos vindo a baixar ...)
...
Deixa a vida exprimir-se sem disfarces!
...
Ah, que não penso eu como quem pensa
Que viver muito é atordoar-se bem!


9.2.08

in..temporal...idades

As emoções humanas são coisas muito cumplicadas!

Quando penso no passado, todas as razões parecem insignificantes ... não permito que os demónios do arrependimento me assombrem ... mas tenho de seguir o caminho que se tem de seguir ... embarcar sem um verdadeiro destino ... ver a paisagem passar calmamente, agarrado aos últimos raios de luz ... antes de me abandonar a outra tranquila noite de sono ... a vida nunca está longe do meu pensamento ... grande fonte de inspiração ... movimenta-se na minha direcção como uma inevitável vontade do destino ... torna-se óbvio que preciso de trocar algum do meu tempo ... conseguir sentir uma suave mudança num outro qualquer lugar ... de repente ... sim, de repente ... a suave sensação de que o tempo fica alterado ... vagueio entre o real e o imaginário ... entre o passado e o presente ... sinto-me capaz de andar livremente sem ninguém dar por isso ... sinto que consigo abrandar o tempo ... mas não posso pará-lo.

chavela vargas

Esta delicadíssima "señorita" costa-riquenha foi-me apresentada pelo amigalhaço Nuno. Grato pela partilha, companheiro.

6.2.08

The Lost City

Si ves un monte de espumas,
Es mi verso lo que ves:
Mi verso es un monte, y es
Un abanico de plumas.

Mi verso es como un puñal
Que por el puño echa flor:
Mi verso es un surtidor
Que da un agua de coral.

Mi verso es de un verde claro
Y de un carmín encendido:
Mi verso es un ciervo herido
Que busca en el monte amparo.

Mi verso al valiente agrada:
Mi verso, breve y sincero,
Es del vigor del acero
Con que se funde la espada.

(José Martí - Versos sencillos)

É com a declamação deste poema do poeta cubano José Matrtí que, termina o filme The Lost City, onde é apresentada uma interessante panorâmica histórica de Cuba de Baptista até à tomada revolucionária de Fidel e Guevara.
Havana, Cidade Perdida,onde acontece: Uma revolução feita de ideais,
Um amor repleto de paixão,
Uma cidade viva de liberdade
Vale muito a pena!

REALIZADOR
Andy Garcia
INTÉRPRETES
Andy Garcia, Inés Sastre, Tomas Milian, Richard Bradford, Nestor Carbonell, Enrique Murciano, Dominik García-Lorido, Dustin Hoffman, Bill Murray, Lorena Feijóo, Steven Bauer, Juan Fernández, Jsu Garcia, William Marquez, Julio Oscar Mechoso, Elizabeth Peña, Millie Perkins, Daniel Pino, Tony Plana, Ruben Rabasa, Victor Rivers, Waldemar Kalinowski.