4.10.07

Vamos à caça

Caçador que se preze, jamais deixará de antecipar o gozo de pôr uma peça de caça à cinta.
No dia antes tudo é pressas: há que olear o bacamarte, verificar a cartucheira, combinar sítios e percursos, madrugar e estar no lugar marcado à hora certa.
E eis que, no conjunto de todas essas vontades, o amanhecer aparece, embrulhado pelo frenesi de toda a canzarrada, monte acima calcorreiam-se rudes penedias, mansos ribeiros e outros tantos lugares apetecidos.
Após latidos caninos, tiros errados e outros tantos acertados, o percurso de regresso faz-se de modo mais ameno, reconfortando os menos afortunados, porque todo o produto será compartilhado.
Chegado o fim do dia, mais não resta do que, apaziguar o corpo com um merecido (será?) descanso dos passos percorridos, dos sentimentos de vida abatidos, das ilusões inventadas.
Outro dia de caça virá, outros momentos serão escutados com tamanho apetite.
Amanhã, vamos à caça.


monge
P. S. .: Pormenor de azulejo retirado de uma casa senhorial lá da aldeia.

6 comentários:

Sophiamar disse...

Descobri o teu blogue na minha amiga Avelaneira e gostei do que por aqui li e vi. Voltarei com tempo. Bom fim de semana.
Beijinhos

avelaneiraflorida disse...

Amigo monge,

Não sou adepta desse digamos, "gosto" tão antigo...

Mas adorei a tua descrição e sobretudo esse lindissimo azulejo!!!!

Raros são aqueles que são preservados... muitos, de propósito destruídos, e com eles vão as nossas MeMÒRIAS!!!!

Já agora, aqui só para nós, não terás " por acso" mais imagens de azulejos dessa dita casa senhorial???????????

BOM FIM DE SEMANA!!!!!
BJKS

monge e eremita disse...

Olá sophiamar

Obrigados pela visita e sê bem-vinda a este estranho canto.Podes voltar sempre que queiras e demorar o tempo que quiseres.

bj

monge

monge e eremita disse...

Olá avelaneiraflorida

Também para mim a caça acaba por ser um gosto antigo. Desde muito cedo que comecei a calcorrear com o meu tio, montes e vales com a saca da merenda às costas e daí foi ficando o vício da actividade venatória. Mas eu sou daqueles que faço pouca mossa porque sou vou meia dúzia de dias por ano e às vezes, mesmo só para passear a arma.
Também eu gosto muito deste a azulejo o qual receio seja o único da dita casa que, no entanto possui outros belos pormenores.

bj

monge

Li Malheiro disse...

Olá.
Adoro caçar enquadrando,
fisgar focando,
Fixar o momento disparando
Ver depois a peça continuar
Na sua rotina, depois
Da pose para a fotografia,
Um gosto antigo que é salmo à vida.

Um abraço deste caçador de imagens.
Li Malheiro

monge e eremita disse...

Olá amigo Li

E que belas "caçadas" tu vais fazendo! Mas como sabes a vontade aos montes é grande e muitas das vezes nem é pela peça em si, mas sim pelo deslumbre de percorrer "carreirões" que nos vão fazendo sentir mais livres. No entanto, se se atravessar no caminho algum pobre animal menos avisado, o instinto de levar a arma à cara é demasiadamente rápido e inesperado.
Boas caçadas para ti.

abraço

monge