7.4.08


Não basta reparar nas coincidências.
As coisas acontecem por alguma razão. Servem para nos acordar e para nos mostrar a força da realidade.
As pessoas lutam por isso: é a causa de todos os conflitos.
Precisamos abrirmo-nos e encontrar a nossa própria energia, a verdadeira e única fonte: o mundo real.
Como um vislumbre do futuro, torna-se algo difícil de atingir. Por isso, estamos aqui para fazer algo e sermos fiéis a esse propósito.
Devemos procurar sempre o significado mais profundo: o sacrifício da esperança.

4.4.08

Quantos destes impiedosos lápis se terão gasto durante 48 odiosos anos da nossa história?




Monstruoso símbolo de uma época cujo largo expectro de actuação riscou notícias, fados, peças de teatro e livros, apagou anúncios publicitários, caricaturas e pinturas de parede.


Pela pouca informação disponível (estranho!) lá se conseguiu arranjar uma breve definição de censura:"sentido de controlar e impedir a liberdade de expressão; intimidação governamental ou popular, onde as pessoas têm receio de expressar ou mostrar apoio a certas opiniões, com medo de represálias pessoais e profissionais e até ostracismo".


Diz-se por ai, à boca pequena, que parece termos voltado ao tempo de antigamente. (Aqui cabia bem uma asneira, não?) Como é possível?! Será que permitiremos o regresso desses actos pidescos? O receio de tamanha desgraça, tão condicionante da cultura de um povo? Não. Lutaremos até ao fim!

18.3.08

O SERINGADOR

REPORTÓRIO CRÍTICO-JOCOSO E PROGNÓSTICO DIÁRIO



Portugal, antigamente
via orgulho em sua gente
nos campos a trabalhar.
Cavada por sua mão,
a terra dava-lhe pão
para o sustento do lar.

Trabalhar era um prazer.
Ganhavam para viver
porque o trabalho era um bem.
A vida aos jovens, sorria,
que a juventude vivia
sem depender de ninguém.

Mas, numa certa noitada
e ao cair da madrugada,
todo o sistema alterou.
Desde então, ficou aberto,
a porta onde o mais esperto
entrou por ela e ... ficou.

E que hoje nos faz pasmar
recebem sem trabalhar
tantos jovens, mocetões.
Criaram-lhe um ordenado
e há tanto jovem parado,
levando à Pátria uns tostões.

Oa campos, estão parados.
Apodrecem os arados.
Não há frutos sem semente ...
- Por esta triste verdade,
Já há quem tenha saudade
dos tempos de antigamente.

Em tempos de arrumações, veio à mão este livreto de 32 páginas, a preto a branco, impresso em papel almaço e referente ao ano de 2003. Até essa data, lembro-me agora de ter comprado alguns exemplares dessa pobre publicação.

Antes de mais, parece-me que o autor dos versos que constam na capa, imbuído de inspiração "antiga" (?) quer relembrar certos odores bafientos, memórias opressivas e ideais salazarentos. Parece-me! Julgo até que tinhamos matéria para uma tese de mestrado. No entanto, se as suas folhas são pobres em termos editoriais, não o são a nível de conteúdo. Senão vejamos:

- eclipses; - fases da lua; - começo das estações; - feriados; - calendário católico;
- visibilidade dos planetas; - feiras e mercados. Depois, para cada mês do ano aparece uma descrição mais alargada que inclui: - origem do nome; o ínico da aurora e do ocaso; indicações para as sementeiras; astrologia; o santo de cada dia; fases da lua; conselhos; curiosidades; proverbios; quadras; pensamentos; sátiras e anedotas.Eis alguns respigos:


A quadra tem pouco espaço
Mas eu fico satisfeito
Quando numa quadra faço
Alguma coisa com jeito (António Aleixo)

Dois alunos chegam tarde à escola e justificam-se:
- Acordei tarde, senhora professora! Sonhei que tinha ido à Coreia ver a nossa selecção de futebol e demorou muito a viagem!
- E tu? – pergunta a professora ao outro.
- Eu fui esperá-lo ao aeroporto.

Vento de Março, chuva de Abril, fazem o Maio florir.

Sabia que ... uma abelha tem de visitar mais de quatro mil flores para fabricar uma colher de sopa de mel?

É o acaso que nos dá a família, mas somos nós que escolhemos os amigos. Aristóteles

Vou ver se ainda apanho o deste ano!

13.3.08

Snow Cake

De que é que vale a loucura?
O passado é só uma lembrança, o futuro uma fantasia.É apenas no presente que, realmente, vivemos.
Os pequenos milagres apenas acontecem. E a ênfase do julgamento é a mentalidade!

Um Alan Rickman, inglês, errante e triste. Uma Sigourney Weaver autista e hipoalergénica. Uma Carrie-Anne Moss que gosta de chá e também de sexo.
Para ver num silêncio tranquilo!

28.2.08

"comunicare"



Não se justifica a presença do verbo comunicar.


Por ter em mente uma visão evolutiva da humanidade, as ideias surgem sempre.Isto tudo, para falar do homem de Neandertal.
Num programa do género, um cientista explicava a extinção desta raça, que tendo coexistido com o Homo Sapiens, com ascendência comum, não conseguiu evitar o seu desaparecimento. Algumas das descrições indicam o homem de Neandertal como excelente caçador, dotado de boa robustez física, detentor de cultura intelectual e o seu cérebro era, em média, ligeiramente mais volumoso. No entanto, extinguiu-se.
Não interessava muito ao senhor o estudo de todo o processo de quantificação comparativa das percentagens do DNA. Preferiu comparar o aparelho fonador de ambas as raças, concluindo que, pelo facto de o homem de Neandertal ter a laringe mais subida e não ter o céu da boca côncavo, a produção e variedade de sons eram menores. Logo, não conseguiu desenvolver um sistema de comunicação tão aperfeiçoado como o do Homo Sapiens.

A comunicação à nossa raça serviu para melhor organizar as caçadas, aplicar a defesa e o ataque quando necessários e também estabelecer relações sociais entre si. Organizar-se.


Nunca me fica preso, entre os dentes, um cumprimento para as pessoas que vejo diariamente. Deixa-me curioso a mudez de algumas delas. Porquê? Não querem comunicar? Já não vão comigo à caça!

Boa noite.

24.2.08

Ó Homem ...


Ó barro bíblico
animado por vida que destróis
no outro e em ti

Ó sopro divino – bondade –
que matas
guerreias
renegas
odeias
prostituis
prostituis-te
matas e matas-te
a ti símio
meu ancestral

Ó selvagem
de cujo encéfalo jorra a ciência
a filosofia
a arte
a poesia
e o sonho
e cujas garras afeiçoam
vénus – giocondas
pirâmides – templos
de Jerusalém

Ó fera cruel sem coração
que te curvas a deuses
que afagas crianças
que estremeces – sorris –
ao desabrochar da flor

Ó homem
o que és tu?
quem és tu?

Miguel Leitão

22.2.08

Ladies and gentlemans ... Simon and Garfunkel

Passar-se-ão para aí uns argênteos aninhos, desde que, num pub (Twigy) do Porto, pela primeira vez vi este concerto integralmente. Apesar de o preço das bebidas ter rebentado logo com a semanada, não dei o dinheiro por mal empregue. Desde então, foi música que me acompanhou sempre para todo o sítio por onde andei. Esta semana, adquiri por um preço quase simbólico a obra SIMON & GARFUNKEL - The Collection, composta por 5 cd's e pelo dvd "The Concert in Central Park". Que saudosa maravilha!

Simon and Garfunkel

21.2.08

Toda a Palavra de Deus


Rir não só é fundamental, como também obrigatório. Quem vir esta peça, além de passar duas horas e meia da melhor disposição, apanha com todas as consequências que o riso possa provocar. De ir às lágrimas!

O meu colega do lado, amigo e professor de Educação Moral e Religião Católica, a quem convidei para partilhar comigo este espectáculo, não conseguiu disfarçar alguma reticência logo no iníco da peça. Contudo, com o desenrolar dos acontecimentos, não tardou a deixar-se levar e entrar na sonorosíssima onda de gargalhadas que invadia, ininterruptamente, toda a sala. Além de partilhar da sua bem disposta companhia, tive o privilégio de ver partilhados também, todo o seu saber sobre os textos sagrados, na sua versão mais séria.

Sim, porque esta Biblia, apresenta uma leitura muito particular dos principais momentos biblicos. E fá-lo a brincar! Mas poder-se-á brincar com coisas divinas; brincar com o que se não deve? Pode. Desde que se faça sem qualquer intenção ofensiva, muita divertida e que torne, da mesma forma, as coisas compreensivas. Não se pode levar para ali qualquer tipo de preconceito. Mesmo que, o que se diga não tenha nada a ver, é-nos apresentada toda a palavra de Deus, com todo o bom-humor com que Ele nos presenteou.

Hilariantemente bom! Veja-se!

http://abibliasintetizada.blogspot.com

4 meses em cena!!! - 7090 Espectadores - 55 Representações - 4 Digressões

Quintas, Sextas e Sábados às 21 horas. Teatro-Estúdio Mário Viegas.

12.2.08

Cântico Negro

Foram lidas todas as palavras e todas as tive em mim. Agora, os pensamentos e as emoções ficaram com elas. E elas lá estão. Todas. No mesmo sítio onde (outro) alguém lhes voltará a pegar e com elas incendiar a vontade de, sofregamente, as beber com outra alma. Porventura, delas, algumas rabiscadas, pegaram-se à pena e num doce bailado, ainda flutuam por entre os meandros da memória.


E resignei-me a ser pobre animal
A ser instinto – a ser donzela e fera ...
Abaixo as atitudes do Ideal!
E resignei-me a ser o que já era ...
...
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos ...
...
Viver
É, para mim, duvidar,
Desvairar,
Interrogar
Procurar-me,
Torturar-me,
Agarrar fumo nas mãos,
E acenar a uns meus irmãos
Que sinto perto, e não vejo
Por causa da multidão
...
Minha alma vai à frente, eu de rojo atrás dela:
Porque eu sou feio e triste,
Mas a minh’alma é bela
...
Sei que o meu sonho é imenso e anseia ar puro
...
Sei tudo ... E para quê?, porquê sabê-lo?
Viver é entrar no rol dos que o não sabem!
...
Meu corpo, ó meu hospício de alienados!
Abre-te aos meus desejos enjaulados,
Deixa-os despedaçar a minha vida!
...
Alta comédia misteriosa, a Vida
...
Abri asas nas mãos para fugir,
E raizes nos pés para amarrar.
(Levava chão nos pés indo a subir,
Trazia céu nas mãos vindo a baixar ...)
...
Deixa a vida exprimir-se sem disfarces!
...
Ah, que não penso eu como quem pensa
Que viver muito é atordoar-se bem!


9.2.08

in..temporal...idades

As emoções humanas são coisas muito cumplicadas!

Quando penso no passado, todas as razões parecem insignificantes ... não permito que os demónios do arrependimento me assombrem ... mas tenho de seguir o caminho que se tem de seguir ... embarcar sem um verdadeiro destino ... ver a paisagem passar calmamente, agarrado aos últimos raios de luz ... antes de me abandonar a outra tranquila noite de sono ... a vida nunca está longe do meu pensamento ... grande fonte de inspiração ... movimenta-se na minha direcção como uma inevitável vontade do destino ... torna-se óbvio que preciso de trocar algum do meu tempo ... conseguir sentir uma suave mudança num outro qualquer lugar ... de repente ... sim, de repente ... a suave sensação de que o tempo fica alterado ... vagueio entre o real e o imaginário ... entre o passado e o presente ... sinto-me capaz de andar livremente sem ninguém dar por isso ... sinto que consigo abrandar o tempo ... mas não posso pará-lo.

chavela vargas

Esta delicadíssima "señorita" costa-riquenha foi-me apresentada pelo amigalhaço Nuno. Grato pela partilha, companheiro.

6.2.08

The Lost City

Si ves un monte de espumas,
Es mi verso lo que ves:
Mi verso es un monte, y es
Un abanico de plumas.

Mi verso es como un puñal
Que por el puño echa flor:
Mi verso es un surtidor
Que da un agua de coral.

Mi verso es de un verde claro
Y de un carmín encendido:
Mi verso es un ciervo herido
Que busca en el monte amparo.

Mi verso al valiente agrada:
Mi verso, breve y sincero,
Es del vigor del acero
Con que se funde la espada.

(José Martí - Versos sencillos)

É com a declamação deste poema do poeta cubano José Matrtí que, termina o filme The Lost City, onde é apresentada uma interessante panorâmica histórica de Cuba de Baptista até à tomada revolucionária de Fidel e Guevara.
Havana, Cidade Perdida,onde acontece: Uma revolução feita de ideais,
Um amor repleto de paixão,
Uma cidade viva de liberdade
Vale muito a pena!

REALIZADOR
Andy Garcia
INTÉRPRETES
Andy Garcia, Inés Sastre, Tomas Milian, Richard Bradford, Nestor Carbonell, Enrique Murciano, Dominik García-Lorido, Dustin Hoffman, Bill Murray, Lorena Feijóo, Steven Bauer, Juan Fernández, Jsu Garcia, William Marquez, Julio Oscar Mechoso, Elizabeth Peña, Millie Perkins, Daniel Pino, Tony Plana, Ruben Rabasa, Victor Rivers, Waldemar Kalinowski.

1.2.08

27.1.08

"Adúlteros desorientados"


Um adúltero tenta encontrar justificação para a sua vida dúplice no relato dos inúmeros adultérios reais, possíveis e imaginários. Com um humor desconcertante, viaja pelo estado de confusão em que estão submersos os adúlteros, permanentemente obrigados a uma vigilância constante para que a sua opção de vida não se torne transparente aos olhos dos outros. Sempre encarando o adultério como algo a que não se pode escapar, enfim uma vocação ou até uma metáfora da própria vida.

A verdade é que agora mesmo se estão a cometer no mundo milhões de adultérios nos lugares mais convencionais que se possa imaginar, mas também nos mais estranhos. Há adúlteros da tarde e da manhã e da noite e da madrugada, de fim-de-semana e de dia útil. Os sítios em que se consuma a infidelidade são também dos mais variados, desde apartamentos com cheiro a cebola a hotéis de terceira, passando por sótãos, automóveis, salas de fotocopiadoras ou palácios. E cada um destes lugares é como uma bolha em cujo interior flutuam duas pessoas que durante umas horas conseguiram escapar às imposições do espaço e do tempo. Os adúlteros fornicam, conversam, discutem ou choram no interior de um compartimento estanque em que a única coisa que chega da realidade exterior é o oxigénio.

Texto: Juan José Millás
Interpretação: Pedro Carreira

Durante toda a peça, não me saiu da cabeça aquela visão interessante que Desmond Morris apresenta sobre a bigamia em "O Macaco Nú". Desengane-se quem julga que o Homem é um ser monogâmico: não o é! Enquanto não se conseguir libertar (que não consegue!) da sua condição animal, a monogamia só tem razão de ser num processo de aculturação forçado, em que são reprimidos os instintos mais básicos, neste caso, o cio. Além disso, outras civilizações aceitam a bigamia como uma forma estruturante das relações entre os seus membros.

Lembro-me agora de ter lido em "Tristes Trópicos", do filósofo e antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, ao observar sociedades indígenas amazónicas, verificou que numa dessas tribos constituída por cinco homens e sete mulheres, rotativa e temporariamente, dois dos homens ficavam com duas mulheres cada um. Forma simples e prática de evitar conflitos e situações de ruptura. Quando o Homem quer, sabe!

monge

24.1.08

Eu, Torga!

Nem é tarde nem é cedo!

Há já algum tempo, que andava com este post, literalmente, atravessado na lembrança. Ainda não o tinha editado, nem sei bem porquê! Uma coisa tenho como certa: aquilo que vou dizer, embora não seja segredo nenhum, também não pretende ser nenhuma maledicência, nenhuma blasfémia, nem tão pouco modifica nem ensombra, absolutamente, em nada, a ideia que tenho deste "nosso" enorme escritor. Tanto que, depois de já ter vários dos seus títulos, no ano passado, adquiri a obra completa de Miguel Torga.

Dois anos de docência em Sabrosa e outros tantos a almoçar em restaurantes de S. Martinho d'Anta, permitiu-me ter um contacto directo com algumas ideias e opiniões acerca de Miguel Torga. Se os alunos seus conterrâneos diziam coisas como: "tem a mania que é importante" ou "não liga a ninguém" outros espiritos mais esclarecidos e eruditos apelidavam-no de "arrogante", "snob" e até mesmo "intratável".

Por mim, ficava-me com a ideia que, talvez fosse resultado de alguma incompreensão da alma do artista ou algum sentimento de inveja impregnasse o pensar das pessoas da sua terra. Nunca tive muito em conta todas essas considerações. Quem tivesse lido "Contos da Montanha", "Novos Contos da Montanha", "Bichos" e "Vindima" na sua juventude, de certeza que, cresceria, tal como eu, com a imagem de um homem que (des)escrevia com experiência real, o ambiente rural do seu Reino Maravilhoso. Viamos ali uma fortíssima ligação à terra e às suas gentes, de modos pobres e rudes, o que demonstrava um profundo conhecimento do seu meio natural. Não ponhamos sequer em questão que, o universo torguiano, compreende melhor do que qualquer outro, o palpitar de Trás-os-Montes no seu sentido mais cru e mais autêntico, no encontro com o seu doloroso destino.

Mas, como é que, um homem que tão bem escrevia sobre o seu povo não tinha ligações com ele? No ano passado, aquando do centenário do nascimento do escritor, numa entrevista a um semanário local, o Padre Avelino, amigo e companheiro de caça de Torga, ele mesmo admite que, apesar de ser "um homem titânico e vertical, onde não havia mentira" não era "estimado nem reconhecido" na sua terra natal e as pessoas achavam-no "mal educado, duro, agreste", "homem de poucas palavras e pouco simpático". Consciente destes sentimentos adversários para com a sua pessoa, Miguel Torga desabafava com o seu amigo: "eles um dia mo dirão"!

E o que dizer então? Por mim, sem mais demoras, fico-me com uma frase de António Arnaut, no Jornal de Letras de 17 de Janeiro de 1996: "O homem é a sua vida, o escritor a sua obra".

monge

19.1.08

Sísifo


Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E
, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com a lucidez, te reconheças.
Miguel Torga


18.1.08

Palavras de Marfim


Nem sempre a terra nos sustenta
A braços com seus vazios
Nem sempre da água nascem rios
Rumo a paragens distantes
E quase nunca as noites frias
São maiores do que os instantes


Carlos Manuel Lopes - «Ecos de Belém», poema a Mia Couto

monge

17.1.08

O primeiro livro do Pedro


Este livro, no meu entender, representa uma recompensa (e um enorme prazer) para o Pedro, por toda a sua curiosidade e o seu interesse em factos históricos nacionais e mundiais.

Nestas últimas semanas, nas idas e nas vindas para a escola do Pedro, outra coisa mais não fiz do que ser bombardeado por perguntas sobre factos da nossa história. A surpresa, veio logo quando, ele enunciava com grande facilidade os cognomes dos nossos primeiros reis e depois quando se voluntariou para pesquisar e realizar a biografia de um desses monarcas, tendo recaido a escolha, obviamente, sobre D. Pedro I.

As respostas a tantas perguntas, se umas o satisfaziam, outras não me atrevia eu a dar-lhas, esquivando-me e remetendo-o para que isso fosse motivo de pesquisa e dar assim uso a alguns recursos sobre história que pairam cá por casa. De uma forma ou de outra, lá me via obrigado a desviar algum do meu tempo e rapidamente digitar em motores de busca algumas das suas dúvidas.

Ultimamente, já sobre a história mais recente, lá voltava ele ao ataque com mais uma saraivada de interrogações: " - Para onde foi o Marcelo Caetano depois do 25 de Abril?"; "- Quem vendia as armas aos pretos na guerra colonial?"; "- O Salazar era amigo do Hitler?"; "- Por que razão o Hitler estendia a mão?" Até que finalmente, tudo desembocou na Holocausto.

Lembrava-se ainda, com a sua infindável memória, de um filme que tinhamos visto - Freedom Writers (muito aconselhável) - onde se fazia referência a Anne Frank e ao seu dramático dia-a-dia. Daí, nada melhor do que, presenteá-lo com este título para que assim, fique a conhecer melhor a dimensão do que o ódio é capaz.

Quando, hoje, lhe atirei com o livro para cima da cama, depois dos mais carinhosos agradecimentos, surpreende-me assim: " - Pá, sabes qual era o meu maior sonho? Era ter vivido o 25 de Abril!"

Nã! Isto devem ser coisas de garoto que ouve música de intervenção e vê videos da dita revolução!

monge

13.1.08

Primeiro livro do ano


Personagem oculta por inúmeras e sucessivas camadas de interpretações ideológicas, quer eruditas quer populares, a figura verídica do primeiro rei de Portugal só muito hipoteticamente se pode reconstituir nas suas dimensões históricas. O mito sobrepõe-se, teimosamente, à história, para justificar a permanência da nação que fundou e justificar a confiança que os cidadãos de todos os tempos têm posto na colectividade a que pertencem. Mas pode-se tentar descobrir como nasceram as diversas narrativas tecidas em trono da sua personalidade, examinar o sentido que tinham quando apareceram e reconstituir os sucessos de que Afonso Henriques foi protagonista principal. Se não é possível traçar-lhe o retrato preciso, pode-se, ao menos, estudar as suas orientações politicas e administrativas, conhecer os seus principais auxiliares e justificar o êxito da sua obra. Apesar de assim desaparecer o herói sobrenatural, toma inegável relevo o seu talento político e militar e, por conseguinte, o seu direito a ser de facto considerado o rei fundador de Portugal.

Já se tinha postado sobre Afonso Henriques e sobre este título aquando da criação do blog. Agora que recebi um voucher de acumulação de pontos de uma livraria, fui a correr convertê-lo neste título, do qual já andava à coca. Estou convencido que, deve ser interessante ler a biografia deste monarca pela pena de José Mattoso.

monge