20.7.07

Pedras: que moca!

Xisto: X vezes isto, ou seja, esta paisagem Transmontana...

Depois da lógica da batata, a lógica do "calhao". Terão as pedras alma? Devem ter, se julgo pela impressão que colocam na minha: Sentimento de paz que a sua quietude imprime à passagem fugaz do tempo. Gosto de considerá-las e alheado nelas, sentir a profundidade da superfície das coisas banais. Gosto dessa evidência palpável do mistério. A vertigem do silêncio. O precipício da ilusão. Chão de certezas ocultas. Promessas prenhes de verdades absolutas. Linguagem dos signos. Destinos fossilizados. Gritos de luz arrefecidos. Estrelas caídas. Alfabetos, para soletrar o mundo com a gramática dos sentidos..."eu hei-de amar uma pedra"! (António Lobo Antunes)
Pétreo abraço
Eremita

2 comentários:

avelaneiraflorida disse...

Pedras...dizem que elas não sentem! mas custa-me a acreditar que não sintam os pingos de chuva...que não se sobressaltem quando rolam nas torrentes...que não cristalizem na poeira do vento...que não se esboroem de saudade de outros tempos...
Pedras...pois, mas será mesmo que sentem o afago das mãos dos meninos...que não se arrisquem nos arremessos...que não rodopiem nos círculos de água...
Às vezes, invejo as pedras!

monge e eremita disse...

hélas! l'eremita vient d'arriver!
Pelo que vejo os espíritos mantêm-se inquietos!
Embora de aparência cenobita, este lugar de encontro compreendia, desde o princípio, a participação de duas almas que,devagar, caminhariam par a par.Lembro-me de tantas ideias, de tantos momentos partilhados, de tantos passos (des)encontrados à espera das impressões acocoradas na tua alma.
soyez bien venu, compagnon.
...que seja tudo pela alma das pedras, pelo sentimento das pedras (avelaneiraflorida), pela memória das pedras ... enquanto houver espíritos que se inquietem com tamanho deslumbre talvez consigamos que a vida se torne menos estranha

abraço monge