11.7.07

MOLESKINE




Vamos, a partir de hoje, iniciar uma rúbrica intitulada moleskine que, mais não pretende ser do que um registo de impressões de viagens realizadas com vontade e quase todas elas, de uma forma ou de outra, mais ou menos planeadas.



Chamamos-lhe assim porque, este interessante e pequeno caderno de capas negras, desde Van Gogh, Picasso, Matisse, André Breton, a Ernest Hemingway, todos eles o usaram para rabiscar muitos esboços e anotar numerosos apontamentos que se viriam a transformar em quadros famosos e livros muito apreciados. O escritor de viagens Bruce Chatwin , abastecia-se sempre de vários moleskine's antes de partir em viagem e tinha por ritual, numerar as páginas, escrever o nome e pelo menos dois endereços com a promessa de recompensa no caso de os perder. É sua a famosa frase “Perder o passaporte é a última das minhas preocupações, perder o moleskine é uma catástrofe.”


Mais recentemente Sepúlveda, também ele inseparável do seu moleskine, fala assim: "[O moleskine] é um pequeno caderno com capa negra que levo comigo para todo o lado, no qual escrevo os meus anseios, os meus pensamentos, dúvidas e questões do dia-a-dia. E também pequenos artigos, capítulos de romances, receitas, declarações de intenção e compromissos de que geralmente me esqueço. Numa breve cerimónia de adeus antes de iniciar um novo, releio o que escrevi e percebo que não perdi a capacidade de assombro. Relê-lo é como que um rebobinar da minha vida e vê-la, fugazmente, fotograma a fotograma.”


E é pois este o espírito e a filosofia moleskine.


Curiosamente, mesmo antes de ter um moleskine, já tinha por hábito fazer este tipo de registos num pequeno caderno de argolas tipo A5, agora que me foi-me oferecido um verdadeiro, vou tentado actualizar as minhas já realizadas viagens e as quais gostaria de, aos poucos, ir partilhando convosco.
Nota: Para quem estiver interessado em adquirir este caderno, poderá ir a http://www.moleskine.pt/ e consultar os Pontos de Venda. Boas viagens!
monge

3 comentários:

avelaneiraflorida disse...

Engraçado!!! Adoro Sepúlveda e já tinha lido algo igual ou parecido com este excerto sobre o "livrinho" especial....

Acho que todos quantos gostam de escrever o fazem em cadernos, de feitios, cores, linhas, páginas brancas, com argolas, espirais ou os velhinhos cordões....

Também tenho vários....o mais curioso é que nem sempre me apetece voltar a abri-los!!!! Talvez para não reviver!!!!!
DE outras vezes, abro, releio, redescubro momentos, pessoas...e isso torna-me feliz!!!!

Portanto...seja lá onde for, desde que tenha papel e lápis...aí estou eu no mundo das minhas palavras!!!!

Excelente ideia esta, Monge!!!!

monge e eremita disse...

olá avelaneiraflorida
também como tu, vou escrevendo nos mais inesperados momentos e nos mais estranhos pedaços de papel, desde guardanapos, talões de compras, envelopes usados, caixas de camisas, eu sei lá ...seja como for vou registando palavras que me proporcionam sempre o prazer renovado de reler coisas que tiveram significado na altura

boas escritas
monge

Li Malheiro disse...

Olá.
A escrita faz-se também de leituras e de citações.
"O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem carácter, nem dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos Bons".
Martin Lither King.

Um abraço.
Li Malheiro