28.11.07

Morte


Entranãrei as cinsas no teu ventre, o enigma azul dun crisantemo, a bágoa vella dunha palabra, a música triste do meu canto, ese labio abismo que te afirma.

Serei remol de lume vivo, vella serpe de pan e linõ, fariña munda, oceánica esperanza, un laio de estirpe a zoar polas gándaras, un desexo de lúas na razón última do universo.

Viverei ainda as paisaxes antigas, o tempo fluvial dos salgueiros, a eufonía anfibia dos versos, o goce azul dos horizontes, o destino infinito dunha nostalxia.

Contarei na primavera os séculos, o tránsito paseninõ das agonias, as metáforas ocultas da incerteza, as consagracións intimas do solpor.

E gardarei as horas no silencio para que a noite só sexa signo e caricia, para que no teu libro de auga apalpe a palabra carnal, a idolatría.
Antón Riveiro Coello, Limaiaé

Sem pretender ser escrito em verso, julgo que foi o livro mais poético que até agora li!
Antón Riveiro Coello, juntamente com o ilustrador, um mexicano Manolo Figueiras, também eles nos acompanharam peregrinamente em todo o roteiro, no dia dedicado a este autor. A poesia, a narrativa e a literatura de viagens, são géneros que Antón Riveiro Coello tem cultivado numa obra reconhecida já com múltiplos galardões. É autor, entre outros livros, de A quinta Saler, As rulas de Bakunin, Cartafol do Barbanza e A esfinge de Amaranto.
Limaiaé tenta aprofundar, desde a fusão poética das palavras e as imagens justapostas, na procura insondável das lembranças e as sensações longinquas. mas não perdidas. É um exercício de comunhão com a terra. Uma verdadeira geografia da alma.
monge

4 comentários:

avelaneiraflorida disse...

Amigo monge, tenho andado quase sem tempo para respirar...por isso não tenho visto estas MARAVILHAS!!!!

Agora...venho aqui e não me apetece sair!!!!
LIndo!!!! LINDO!!!!! Lindo!!!!
TENHO DE VOLTAR!!!!

Bjks!

monge e eremita disse...

Olá amiga avelaneira

acredita que me apetece postar todos os textos deste livro de tal maneira que fiquei bem impressionado. Parece haver nele um tal "emaranhamento" que nos enlaça e nos faz pertencer à própria Natureza. Com o tempo.

bj

monge

monge e eremita disse...

Olà amigo monge,viva e obrigado por este maravilhoso momento!
Ultimamente tenho tido tanto trabalho que quase nem tenho tempo para respirar, como a avelaneiraflorida! Além disso o meu computador também esteve quase a entregar a alma!...Enfim!... Fico muito satizfeito pelos textos que tens colocado. Bons momentos de poesia. Parabéns pelas escolhas altamente apeteciveis.
Até breve,
um grande abraço
eremita

monge e eremita disse...

Olá camarada e amigo eremita

trata-se apenas de uma singela pincelada de uma enorme impressão que nos ficou deste magnífico roteiro, o qual merece ser partilhado com os amigos.

partilhado abraço

monge