24.4.12

Hoje era dia de comprar cravos vermelhos!


- Boa tarde. Cravos vermelhos, tem?
- Cravos vermelhos não há.
- Já não há, ou não os teve hoje?
- Não há! Os que tive vendi-os todos. Até liguei para o mercado para arranjar mais e não consegui. Parece que se acabaram os cravos vermelhos em Vila Real! - respondeu-me a senhora.
Esta foi a última resposta que obtive na terceira florista que apressadamente visitei, após ter chegado à cidade. Ainda perguntei se amanhã estaria aberta para assim me poder guardar meia dúzia deles, mas o aceno negativo da simpática senhora intensificou o meu desalento.
Ao sair, já com a porta a fechar-se atrás de mim, ainda ouvi a colega perguntar-lhe num tom de indiferença:
- E já não se pode fazer o 25 de Abril sem cravos vermelhos?
Estive vai não vai para voltar a entrar e dizer-lhe que não, pois esse dia "fez-se" com cravos vermelhos e não poderá ser de outra maneira.Como tenho comprado a minha meia dúzia de cravos vermelhos neste dia, fiei-me na sorte de os continuar a arranjar.
O dia 25 de Abril, é o meu dia do ano. Além de todo o significado que representa, elegi-o como o dia em que mais gosto de sentir a liberdade em mim. Vai fazer vinte anos que neste dia, tenho a vontade de ir a sítios onde nunca fui, ver coisas que nunca vi, oferecer cravos a quem não conheço.
Para esses sítios levo os meus cravos vermelhos, os quais vou oferecendo a porteiros de museus, a seguranças de monumentos históricos ou deixado-os sobre a mesa dos restaurantes como gorjeta da minha singela liberdade. Penso que talvez desta forma se perpetue a nossa liberdade e não se passe um dia sem cravos vermelhos.
Vamos semear Abril!

p.s.: desobedecerei eternamente ao novo acordo ortográfico, pois Abril será sempre grande.

monge

4 comentários:

Li Malheiro disse...

Parabéns pois pelo teu Dia do Ano, Abril que as portas abriu à Democracia que teima em florir apesar dos pesares, e das mentiras dos políticos que não sabem cumprir o que prometeram para ganhar os votos. O Povo há-de entender este entardecer soturno e terá de grita de novo: Agora ninguém mais cerra, as portas que Abril abriu.
Li Malheiro

Li Malheiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
monge disse...

Fez anos que noutro Abril descemos às gravuras do Côa numa Renault 4L, lembraste? Que viagem fantástica!
Enquanto houver Abril, haverá sempre vontade de viver...sempre de porta aberta!
Abraço, camarada!

monge disse...

Fez anos que noutro Abril descemos às gravuras do Côa numa Renault 4L, lembraste? Que viagem fantástica!
Enquanto houver Abril, haverá sempre vontade de viver...sempre de porta aberta!
Abraço, camarada!