Perder tempo ...
Pese embora a minha inflexibilidade quanto à alteração de níveis nas reuniões de avaliação, lá vou encolhendo os ombros quando se opta pela progressão de um aluno, mesmo com alguns níveis negativos.
Na última reunião com os encarregados de educação, aquando da entrega dos resultados finais, enquanto secretário, acompanhei o director de turma nessa tarefa. Com a frontalidade que o cargo exige, o director de turma lá foi insistindo no papel fundamental dos pais enquanto importantes agentes educativos.
Talvez por algum sentimento de culpa, o encarregado de educação do aluno que passou com imensas dificuldades (e somente devido à sua irresposnsabilidade e infantilidade) ficou para último e lá se ia desculpando como podia perante todas as investidas do director de turma. Até que o senhor lhe disse:
"- Pois é, senhor professor, vou ter que perder mais tempo com o meu filho."
Para dizer a verdade, na altura nem deitei muito sentido àquelas palavras do acabrunhado senhor, só quando saimos, vejo com espanto o meu colega explodir com uma sonora e sentida asneirada:
"- ....-.. ! Como é que se pode perder tempo com um filho!
A partir dessa data, se bem que não sinta qualquer remorso, lembro-me sempre dessas palavras e não me atrevo a arranjar qualquer pretexto para não ouvir as palavras do Manel:
"- Papá, bamox bincar pópóx?"
E, num instante, atapetamos a sala com a briquedagem. E, agradavelmente, encontro muito do tempo que não perdi com o Pedro.