O SERINGADOR

Portugal, antigamente
via orgulho em sua gente
nos campos a trabalhar.
Cavada por sua mão,
a terra dava-lhe pão
para o sustento do lar.
Trabalhar era um prazer.
Ganhavam para viver
porque o trabalho era um bem.
A vida aos jovens, sorria,
que a juventude vivia
sem depender de ninguém.
Mas, numa certa noitada
e ao cair da madrugada,
todo o sistema alterou.
Desde então, ficou aberto,
a porta onde o mais esperto
entrou por ela e ... ficou.
E que hoje nos faz pasmar
recebem sem trabalhar
tantos jovens, mocetões.
Criaram-lhe um ordenado
e há tanto jovem parado,
levando à Pátria uns tostões.
Oa campos, estão parados.
Apodrecem os arados.
Não há frutos sem semente ...
- Por esta triste verdade,
Já há quem tenha saudade
dos tempos de antigamente.
Em tempos de arrumações, veio à mão este livreto de 32 páginas, a preto a branco, impresso em papel almaço e referente ao ano de 2003. Até essa data, lembro-me agora de ter comprado alguns exemplares dessa pobre publicação.
Antes de mais, parece-me que o autor dos versos que constam na capa, imbuído de inspiração "antiga" (?) quer relembrar certos odores bafientos, memórias opressivas e ideais salazarentos. Parece-me! Julgo até que tinhamos matéria para uma tese de mestrado. No entanto, se as suas folhas são pobres em termos editoriais, não o são a nível de conteúdo. Senão vejamos:
- eclipses; - fases da lua; - começo das estações; - feriados; - calendário católico;
- visibilidade dos planetas; - feiras e mercados. Depois, para cada mês do ano aparece uma descrição mais alargada que inclui: - origem do nome; o ínico da aurora e do ocaso; indicações para as sementeiras; astrologia; o santo de cada dia; fases da lua; conselhos; curiosidades; proverbios; quadras; pensamentos; sátiras e anedotas.Eis alguns respigos:
A quadra tem pouco espaço
Mas eu fico satisfeito
Quando numa quadra faço
Alguma coisa com jeito (António Aleixo)
Dois alunos chegam tarde à escola e justificam-se:
- Acordei tarde, senhora professora! Sonhei que tinha ido à Coreia ver a nossa selecção de futebol e demorou muito a viagem!
- E tu? – pergunta a professora ao outro.
- Eu fui esperá-lo ao aeroporto.
Vento de Março, chuva de Abril, fazem o Maio florir.
Sabia que ... uma abelha tem de visitar mais de quatro mil flores para fabricar uma colher de sopa de mel?
É o acaso que nos dá a família, mas somos nós que escolhemos os amigos. Aristóteles
Vou ver se ainda apanho o deste ano!